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Atualizado: 1 de ago. de 2023

BERIMBAU BRASIL DÁ SHOW DE REPRESENTATIVIDADE FEMININA NA PASSARELA

E MARCA GOLAÇO


A Pimentel desfila pela primeira vez em parceria com a marca. Visibilidade afro e indígena também são pautas do desfile.


Josias Dias em parceria com A Pimentel

Sou Assim l São Paulo (SP)

18 de julho de 2023


De cara nova a Berimbau Brasil abriu o terceiro dia de desfileda52°edição da Casa de Criadores, no Centro Cultural de São Paulo, nesta sexta-feira, 14. Com o tema “Mulheres no Jogo” chamou atenção pelas diversas representatividades femininas na passarela. As cores e estampas africanas deram vida à coleção. A Pimentel encarou seu primeiro desfile em parceria com a marca e mostrou uma nova faceta artística com visual inspirado nos signos da bola de futebol. O evento teve realização em parceria com a Secretaria de Cultura de São Paulo e contou com o apoio do Senac e outras marcas. Domingo, 16, foi o último dia do evento.


O feminino é plural e tem que estar no futebol, isso que a Berimbau Brasil trouxe em seu discurso. Com frases reproduzidas que falava sobre a importância feminina no esporte, o desfile contou com looks leves, coloridos e representativos. A tarde estava fria, mas o sol irradiou o jardim suspenso do CCSP, pelo qual os modeles desfilaram. O som do berimbau emergiu de fundo e sincronizou os elementos no fortalecimento do nome da marca com a coleção. Para isso foi necessário um preparo forte. Segundo Sandro Freitas, dono e estilista da Berimbau, há cinco meses a empresa esteve numa jornada para o fortalecimento e potencialização da marca com o Instituto C&A e o Criável, o que mostra os frutos dessa reformulação. Sandro acredita que o desfile tem como o principal objetivo enaltecer a trajetória e luta das mulheres. Ele alertou sobre a necessidade de ter líderes representantes:

“são pessoas que são líderes de suas comunidades tradicionais, são representantes importantes para um ecossistema, para uma comunidade. Por isso, a gente trouxe nessa coleção líderes fortes de seus grupos representando essa luta, essa dança, essa conquista...”

Sandro é formado pela escola do Senac no curso de “Estilismo e Coordenação de Moda, e se mostra muito feliz em poder apresentar o seu progresso para a instituição em que estudou: “para essa edição da Casa de Criadores, a gente teve também apoio do Senac que foi a escola onde eu me formei, e estou contente por trabalhar em paralelo – afirma. Sobre a roupa da Pimentel o dono explica que partiu da pesquisa do futebol visto de forma ampla e multicultural, tendo elementos da bola de futebol como o desenho da estrela, geometria e aviamentos mais rústicos: “transmite para as peças uma nova perspectiva no futebol, que não é só para os homens, mas para todes” – completa. Já a modelo disse que essa parceria é uma oportunidade para mostrar uma nova faceta artística sua: “eu estou leve, feliz... de nordeste para nordeste, né? Se prepara que vai vir uma mulher arretada, machadão e divertida.” – brinca, antes de entrar em “campo”. Sandro e Pimentel são parceiros de anos e se conheceram através de network, mas só agora articularam essa idealização. A modelo deixa claro que sua existência como pessoa transvestigênere neste projeto é importante para mostrar que o feminino é vasto e precisa ocupar todos os espaços:

“Total empoderamento feminino. Nós somos o país que mais mata pessoas trans no mundo, principalmente mulheres trans e travestis. Também é o país latino-americano que mais comete feminicídio. E quando a gente fala desse lugar de jogo, especificamente o futebol, a gente vê que existe uma disparidade entre o masculino e o feminino.”



Para Maiwsi Ayana, 29, diretora criativa e estilista da Berimbau Brasil, ter um olhar feminino para a marca é importante, mas é preciso o olhar partindo não só de uma mulher. Ela diz que a marca conseguiu trazer o lugar de fala e que as mulheres precisam ser ouvidas:

“por mais que as pessoas que se identificam com o sexo masculino tentem se solidarizar, colocar o seu olhar e buscar apoio, nem sempre vai ter um olhar de fato de uma mulher para entender aquele processo. Eu, enquanto mulher, luto muito para ser ouvida. Então eu entrei com essa ótica.”

A artista complementa que quis trazer o streat wear e o futebol feminino para a coleção sem perder o DNA. E que o tema é um resgate da sua infância, época em que jogava futebol livremente. Para ela ter uma gama de diferentes tipos de mulheres é o que representa o Brasil de fato:

“Essa já é a identidade da Berimbau e a gente só quis intensificar e mostrar como existe uma grande diversidade de mulheres, do feminino, de negritude, de raça dentro do Brasil. A gente quer trazer os povos originários, a gente quer trazer as pessoas pretas de todas as cores, de todos os corpos e de todas as corpas. A gente quer mostrar pluralidade.”


Catarina Delfina dos Santos, 75, da terra indígena Piaçaguera, Peruíbe-SP, faz parte da pluralidade que Maiwsi tanto fala. A anciã da aldeia de Itapirema (Tupi Guarani) diz que é a primeira vez que desfila em sua vida. Quando recebeu a proposta e se viu nela ficou muito feliz, pois é a oportunidade necessária para mostrar a potência de uma mulher indígena. Catarina ainda alerta que foi uma das primeiras mulheres indígenas a quebrar protocolos machistas da sua comunidade e do estado de São Paulo. Para ela estar presente nesse desfile único também é uma forma de chamar a atenção para os povos originários e as necessidades políticas atuais, além de pedir proteção ao meio ambiente:

“A gente deve prestigiar a natureza, pois sem ela não somos e não temos nada. Assim como querem tirar as nossas terras com o Marco Temporal, queremos ter a oportunidade de dizer que viemos antes de tudo isso, e não podem tirar o pouco dos que nos sobrou. Precisamos ser ouvidas. Precisamos estar em todos os lugares”

O Marco Temporal (PL 490/2007) que Catarina sinaliza é um Projeto de Lei que foi aprovado pela Câmera dos Deputados, 30/05, e segue para votação no Senado, que fala sobre determinadas terras demarcadas não pertencerem aos povos indígenas por ocupação após 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Críticos apontam que a maneira como o PL foi aprovada na Câmera pode comprometer processos de demarcação que estão em análise, e prejudicar terras que foram demarcadas após 1988.

Por isso que a Berimbau Brasil acredita que a moda também é um espaço político para protestar contra a opressão sistemática e social, e isso ficou bem claro no lançamento da sua nova coleção. De São Luís do Maranhão, a marca possui características afros e nordestinas do nome à sua essência. Surgiu na jornada pela busca incessante da moda em São Paulo e ancestralidade é a palavra-chave para a escolha do nome. A relação de Sandro Freitas com a capoeira vem desde os 12 anos de idade e tem muito significado para estar neste lugar:


o meu professor de capoeira foi a pessoa que me deu o meu primeiro emprego na vida. Então eu tenho um respeito muito grande por ele e pela arte porque me fizeram chegar aonde estou” – completa. O empresário ainda ressalta a versatilidade do nome: “Berimbau é isso: as vezes você ginga para lutar, as vezes você dança capoeira, e assim eu vejo a Berimbau. A marca tem tudo a ver com a minha essência.” – finaliza.




São Luís do Maranhão foi um dos portos brasileiros a receber o maior número de escravizados. Hoje, possui um dos maiores números de afrodescendentes do Brasil. Com isso, a capoeira, ou melhor dizendo, a capoeiragem – como era dito por lá no início do século XX – é bastante enraizada. A história da Capoeira no Maranhão é contada no livro: “A Capoeira do Maranhão: entre às décadas 1870 a 1930”, lançado em 2020, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Mas o Maranhão também fará história no futebol feminino. A Copa do Mundo de 2023 acontecerá no dia 20 de julho, na Australia e na Nova Zelândia, e contará com duas maranhenses. A rainha Marta participará do evento pela última vez. A maior artilheira da história dos mundiais entre homens e mulheres, com 17 gols, é a jogadora mais velha entre as convocadas. Mas como iremos sobreviver sem outra Marta? Foi o que a jogadora protestou para a TV Globo, na Copa de 2019, logo a após a eliminação brasileira nas oitavas de finais. A cantora e ex-jogadora Jade Carozzino se utilizou dessa frase para criar a abertura do desfile da Berimbau Brasil, com um texto que fala dessa importância urgente das mulheres em campo. A narração foi da diretora criativa e estilista da marca, Maiwsi Ayana, e o instrumental do Dj Def Berks:

“É isso que eu peco para as meninas

Não vai ter uma Formiga para sempre

Não vai ter uma Marta para sempre

Não vai ter uma Cristiane para sempre

E o futebol feminino depende de vocês

Para sobreviver

Então pense nisso, valorize mais

Chore no começo para sorrir no fim”

(Marta Vieira da Silva)

“Lugar de mulher é onde ela quiser

90 minutos para ganhar o jogo

Uma vida inteira para convencer um povo

Ser mulher e jogar futebol é resistência

Amo e pratico futebol, e nem por isso deixo de ser mulher

O futebol feminino é luta, é amor, é talento e é raça

Lute como uma garota

Jogue como uma garota”

(...)

(Jade Carozzino)

(vídeo)

Ficha Técnica

“Mulheres No Jogo” Direção Executiva: Giada “Jade” Carozzino Direção de Arte: Maiwsi Ayana, Jade, Sandro Freitas Produção Geral: Sandro Freitas Styling: Sandro Freitas e Maiwsi Ayana Dançarina: Maiwsi Ayana Trilha sonora: Dj Def Bkrs  Captação e Edição de Vídeo: Vulcams Filmes Ilustrações das Camisetas: Projeto Grafitar  Modeles e Jogadoras: Victoria Morais, Letícia e Luara Cano, Agatha Juliane, Vitória Carolina, Giovanna Iris, Monike, Jéssica e Noemi. Locação: JD Cristiane Santo André Agradecimentos: Thiago Mascote, Realidade Cruel, Jones Carreiro Junior, Formiga, Anderson Christian, Leticia e Fabio Morais, Thiago Jésus Cano


Confira o vídeo dos desfile na Casa de Criadores:


Fotos do Desfile Berimbau CDC 52 (Fotografo @istreladoamanha):



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